Análise Funcional

Análise Funcional do Comportamento

O presente artigo teve como fonte o livro “PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO” de Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros. Apresenta-se aqui um resumo do capítulo 9 da obra, que trata de “Análise Funcional”.

“A análise funcional se refere á investigação das relações entre as respostas de um indivíduo aos estímulos ambientais objetivamente identificados” (SOUZA, 1997 apud MORAES et al 2004).
Os eixos de uma análise funcional são os paradigmas respondente e, principalmente, o operante. A análise funcional nada mais é do que a busca dos determinantes do comportamento. Sob uma perspectiva Behaviorista Radical, esses determinantes estão na interação do organismo com o meio. Skinner defende a existência de três níveis de causalidade do comportamento, que em maior ou em menor medida, estarão sempre relacionados na ocorrência ou não de uma resposta de um comportamento( Moreira & Medeiros 2007 – pág. 146 ). São eles:

Filogênese: Influência da seleção natural em nosso comportamento. Características fisiológicas e comportamentais da espécie, como comportamentos reflexos ou que não são aprendidos, comuns a espécie.

Ontogênese individual: História de vida de cada um. Aprendizagem pessoal, experiências individuais que são determinantes no comportamento.

Ontogênese sociocultural: Características culturais que afetam e determinam nosso comportamento, regras sociais, costumes, crenças, etc. A cultura tem um grande valor na determinação do comportamento pois ela pode estabelecer função reforçadora ou aversiva para os comportamentos.

Analisar um comportamento funcionalmente refere-se a uma busca da função do comportamento, e não da sua estrutura ou forma, ou em termos comportamentais, sua topografia . Comportamentos com a mesma topografia ( forma ) podem ter funções extremamente diferentes. Por exemplo, um namorado dizer “eu te amo” pode ser determinado por diferentes variáveis ( razões, estímulos ) no início e no final do namoro. Em geral, no início do namoro ele pode dizer “eu te amo” sob controle discriminativo de seus estados internos e de quanto a presença da namorada lhe é reforçadora. Por outro lado, com o desgaste da relação a presença da namorada não é mais tão reforçadora assim e nem é mais acompanhada dos estados internos citados. Entretanto, caso o namorado pare de dizer que a ama, ela começará a fazer chantagem emocional, evento que certamente é aversivo para o namorado, que como comportamento de fuga, diz que a ama. Ele diz que ama não pelos estímulos antecedentes ( bem que ela faz a ele ), mas para fugir das conseqüências aversivas de sua chantagem emocional ( Moreira & Medeiros 2007 – pág. 147 ), o que mostra que a forma ( topografia ) do comportamento não é diretamente ligada com sua função.

Ainda temos os casos de comportamentos com topografias bem distintas, porém, com funções semelhantes. Um exemplo muito interessante é observado quando namorados emitem os comportamentos “não quero mais namorá-la” e “ Eu te amo, te adoro, não quero te perder, mas por favor mude o seu jeito comigo porque eu não agüento mais”

( Moreira & Medeiros 2007 – pág. 147 ), o que confirma, nem sempre um comportamento é o que parece ser. Estes comportamentos em topografia são muito diferentes, quase contrários, mas a função deles é a mesma ; o desejo de conseguir uma mudança no comportamento da namorada. Com efeito, é muito comum observarmos namorados que ao estarem insatisfeitos com a sua relação, não possuem repertório para discuti-la com a sua parceira, nesse caso emitem como comportamento verbal “não quero mais namorar você”, quando na realidade serão reforçados pela mudança no comportamento da namorada e não com o término do namoro conforme especificado pela topografia ( Moreira & Medeiros 2007 – pág. 147 ).

A intenção do exemplo é mostrar que a análise do comportamento deve partir para sua função – ser funcional – e seus determinantes ( o que o determina ), posto que ao analisar sua forma, erros graves podem ser cometidos. A análise funcional busca relações funcionais, isto é, de função, entre o comportamento emitido e o ambiente.

A análise funcional do comportamento com o ambiente é descrita conforme os paradigmas respondente e operante. São eles:

PARADIGMA RESPONDENTE

S > R

EXEMPLO

Cisco no olho ( S ) > Lacrimejar ( R )

S = Estímulo

R = Resposta

> = Relação entre estímulo e resposta

Onde se lê:

O estímulo ( cisco ) elicia a resposta ( Lacrimejar )

O segundo paradigma comportamental e o principal a ser considerado é o paradigma operante, que é aquele que refere-se ao papel que as conseqüências desempenham na aprendizagem e na manutenção do comportamento

PARADIGMA OPERANTE

As > R > SC

EXEMPLO

Sa ———————— R >>>>>>>>>>>>>>Sc

Vitória do Serve de ocasião Pedir o carro Produz Empréstimo do

Flamengo para carro

Sa = Ocasião em que a resposta (comportamento) ocorre ( estímulo discriminativo )

R = Resposta ( Comportamento )

Sc = Conseqüência do comportamento

—- = Serve de ocasião para

>> = Produz

Onde se lê:

A ocasião ( vitória do flamengo ) serve de estímulo discriminativo para o comportamento ( pedir a chave do carro ) que produz a conseqüência reforçadora ( empréstimo do carro ). Provavelmente em situações parecidas o mesmo comportamento de pedir a chave se repetirá.

A tarefa na análise funcional consiste em encaixar o comportamento em um dos paradigmas e encontrar seus determinantes, uma vez que encontramos os determinantes do comportamento, podemos predizê-lo ( prever sua ocorrência ) e controlá-lo ( aumentar ou diminuir deliberadamente a sua probabilidade de ocorrência ) .

Para que consigamos analisar funcionalmente um comportamento é necessário que se conheça os princípios básicos tratados aqui, como privação e saciação, esquemas de reforçamento, generalização, etc.

Quando mudamos uma das partes da contingência de três ou de dois termos, de acordo com o paradigma apropriado, mudamos também o comportamento desejado.

É muito importante na análise funcional, atentar a história de reforçamento da pessoa. Ela é quem determina quais comportamentos ela pode emitir hoje.

Um comportamento que tenha sido punido anteriormente tem poucas chances de ocorrer hoje, assim como impossibilita a ocorrência de outros comportamentos dependentes de sua ocorrência.
Para identificar as relações entre o organismo e o ambiente que a Análise Funcional indica, você deve seguir os seguintes passos:

♦A consequência do comportamento aumentou ou dimimuiu sua frequência?

1 – Caso tenha aumentado, então verifica-se:
a ) Um estímulo foi acrescentado ou retirado do ambiente?
—Se foi acrescentado, a consequência é um reforço positivo.
—Se foi retirado, a consequência é um reforço negativo.

a. O estímulo estava presente ou ausente no momento em que o comportamento foi emitido?
i. Se estava presente, trata-se de um comportamento de fuga.
ii. Se estava ausente, trata-se de um comportamento de esquiva.

2 – Se diminuiu, verifica-se:
–O comportamento parou de produzir uma consequência reforçadora?
- Se sim, houve extinção operante.
- Se não, houve uma punição.

a.
Um estímulo foi acrescentado ou foi retirado do ambiente?

i. Se foi acrescentado, trata-se de uma punição positiva
ii. Se foi retirado, trata-se de de uma punição negativa.

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