Teísmo X ateísmo na fé

Frequentemente os teístas tentarão colocar o ateísmo e o teísmo no mesmo plano, argumentando que enquanto os teístas não podem provar que deus existe, os ateus também não poderão provar que deus não existe. Isto é usado como base para argumentar que não há um significado objetivo para determinar qual é preferível, porque nenhuma possui vantagem lógica ou empírica sobre a outra. Desta forma, a única razão para continuar com uma ou outra é a fé e então, aparentemente, os teístas irão argumentar que de algum modo a fé deles é melhor que a fé dos ateus.

Esta reivindicação sobre a errônea hipótese que todas as proposições são criadas iguais e, porque algumas não podem ser provadas conclusivamente, então por isso nenhuma pode ser invalidada conclusivamente.

Portanto, é argumentado, a proposta que “Deus existe” não pode ser invalidada.

Mas nem todas as proposições são criadas igualmente. É verdade que algumas não podem ser invalidadas – por exemplo, a afirmação “o cisne negro existe” não podem ser invalidadas.Para tanto, seria necessário examinar todos os cantos no universo para se ter certesa de que o cisne negro não existe, e isto simplesmente não é possível.

Outras propostas, no entando, podem ser invalidadas. Há duas maneiras de se fazer isso. A primeira é ver se a proposição conduz a uma contradição da lógica ; se assim o for, então a proposta deve ser falsa. Exemplos disso seria “existe um solteirão casado” ou “existe um círculo quadrado”. Ambas as propostas transmitem contradições da lógica – apontando isso seria a mesma coisa que invalidá-las.

Se alguém afirma a existência de um deus,e a existência do mesmo transmite contradições da lógica, portanto este deus pode ser invalidado da mesma forma. Muitos argumentos ateológicos fazem exatamente isto – por exemplo, eles argumentam que um deus onipotente e onisciente não pode existir porque essas qualidades conduzem à contradições da lógica.

A segunda maneira de invalidar a proposta é um pouco mais complicada. Considere as duas proposições:

1. Nosso sistema solar tem um décimo planeta.
2. Nosso sistema solar tem um décimo planeta com massa X e órbita Y.

Ambas as proposições podem ser validadas, mas há uma diferença quando se trata de invalidá-las. A primeira pode ser invalidada se alguém fosse examinar todo o espaço entre o sol e os limites extremos do nosso sistema solar e não encontrasse novos planetas – mas tal processo está além da nossa tecnologia. Então, por todos os objetivos práticos, isto não é ‘invalidável’.

A segunda proposição, no entando, é invalidável com a tecnologia atual. Sabendo informações específicas sobre massa e órbita, podemos planejar testes para determinar se tal objeto existe – em outras palavras, a afirmação pode ser testada. Se os testes falharem repetidamente, então podemos concluir razoavelmente que tal objeto não existe. Além das intenções e objetivos, a proposta é inválida. Isto não significaria que não existe um décimo planeta. Ao invés disso, significa que este planeta em particular, com esta massa e órbita, não existe.

Similarmente, quando um deus é definido adequadamente, pode ser possível cosntruir testes lógicos ou empíricos para ver se ele existe. Podemos olhar, por exemplo, para os efeitos previstos que tal deus pode ter na natureza ou na humanidade. Se nós falharmos a encontrar estes efeitos, então um deus com tais características não existe. Algum outro deus com alguma outra característica pode existir, mas este acabou de ser invalidado.

Um exemplo disso seria os argumentos do diabo, um argumento ateológico que tem como finalidade provar que um deus onisciente, onipotente e onibenevolente não pode existir junto a um mundo como o nosso com tanta crueldade nele. Se bem sucedido, tal argumento não invalidaria a existência de um outro deus; ao invés disso, simplesmente invalidaria ma existência de qualquer outros deuses com estas características em particular.

Obviamente
, invalidar um deus exige uma descrição adequada do que ele é e quais características ele tem, para determinar se há uma contradição da lógica ou se qualquer significado que pode ser testado é verdadeiro. Sem uma explicação concreta de o que esse deus é simplesmente, como pode haver uma afirmação concreta de este deus é? Para se afirmar razoavelmente que este deus importa, o crédulo deve possuir uma informação concreta a respeito de sua natureza e características; do contrário, não há razão para ninguém se importar.

Afirmando que ateus “não podem provar que deus não existe” frequentemente leva ao mal entendido de que os ateus afirmam “deus não existe” e que deveriam provar isto. Na realidade, os ateus simplesmente falham ao aceitar a afirmação teísta de mque “deus existe” e, por conseguinte, o dever inicial de provar a prova é do crédulo. Se o crédulo está inapto a promover uma boa razão para aceitar a existência do deus deles, é irracional esperar que os ateus devem construir a prova que o invalida – ou se quer se importar com a afirmação em primeiro lugar.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: