Entendendo os sentimentos

Esta é a segunda parte deste trabalho que visa mostrar como é a análise aplicada do comportamento. Aqui estou falando um pouco sobre os sentimentos, este é um assunto que interessa muito a todos. Qualquer dúvida, crítica ou sugestão por favor entrar em contato com o autor em : netopsico@yahoo.com.br .

Exemplos de sentimentos, temos muitos: amor, amizade, paixão, afeto. Tentativas de explicá-los, é o que não falta. Nossos poetas passam noites e noites namorando a lua e buscando uma boa definição para o amor, será que conseguem? Talvez… segundo a maioria deles, o amor é algo metafísico e difícil de ser explicado, assim como outros sentimentos. Mas há um engano aí, não há nada de tão magnífico no amor e nos outros sentimentos, ele é um comportamento como qualquer outro, que precisadas mesmas condições que os outros para que se mantenha. Abaixo vai minha explicação:

Algumas pessoas ainda tem a errônea concepção que a análise do comportamento despreza os sentimentos. Este erro, provavelmente tem a mesma raiz de diversos outros.Existe por parte de alguns uma confusão conceitual entre o Behaviorismo Metodológico, fundado por John B. Watson, e o Behaviorismo Radical, de B.F. Skinner. A proposta de Watson era estudar somente o comportamento publicamente observável, ignorando, por exemplo, a consciência e os sentimentos ( J.L. Leonardo – 2007 ) – o que Skinner rejeita ao afirmar que todo comportamento, seja ele encoberto ou publico é digno de estudo. É importante observar que, embora os sentimentos sejam inacessíveis a observadores externos porque estes não estão em contato com aquele ambiente, isto não significa que os comportamentos encobertos possuam qualquer natureza especial, isto é, eles não são entidades mentais abstratas (MATOS, 2001).

Os sentimentos são comportamentos como quaisquer outros, oriundos das contingências de reforçamento onde o indivíduo está inserido. Os nomes que damos aos sentimentos como “tristeza”, “felicidade”, “angústia”, “amor”, “ódio”, são apenas nomeações que a comunidade verbal dá a nossos comportamentos.

Na verdade, eu não choro porque estou triste, mas eu fico triste e choro ao mesmo tempo, devido à certas contingências de reforçamento, ou seja, porque algo aconteceu (SKINNER, 1989/2005).

Como já dito, os sentimentos são na verdade manifestações concretas do comportamento do organismo, e não entidades mentais abstratas como muitos pensam. Neste sentido, então, não há sentimentos sem uma manifestação corporal correspondente. Assim, por exemplo, quando uma pessoa está ansiosa, ela tem alterações no ritmo de batimentos cardíacos, na freqüência respiratória, na pressão sangüínea etc ( H.J. Guilhardi ), mas na verdade, estas alterações são a própria ansiedade, e não a causa dela ou efeito dela, o que causou esta ansiedade foram as contingências ( relação do organismo com o ambiente ) onde a pessoa está inserida.Da mesma forma, na alegria há mudanças no funcionamento do corpo: os batimentos cardíacos, a sudorese, o ritmo respiratório etc. também se alteram. ( H.J. Guilhardi ), o que também é a alegria, e não a causa ou efeito dela. Assim como a ansiedade, ela foi provocada por estímulos recebidos do ambiente. Além destas reações internas os sentimentos também incluem comportamentos públicos da pessoa, como correr, gritar, chutar, falar, sorrir, etc, comportamentos estes que são característicos de mais de um tipo de sentimento. O que vai determinar qual sentimento eles representam em um dado momento, são as contingências em que a pessoa está inserida.. Assim, se uma criança corre atrás do seu cachorro, dá-lhe um chute, fica vermelha, chama-o de “feio”, porque o cachorro não quer atender a uma ordem sua, a mãe, que testemunha essa cena, pode dizer para o filho: “Por que você está com raiva do Pitoco, ele está cansado, coitadinho.” A mãe, desta maneira, usou a palavra “raiva” para nomear todas essas manifestações do filho( H.J. Guilhardi ) que ocorreram nesta situação onde o cachorro não obedeceu uma ordem dele. É dessa forma que a criança aprende o que é raiva. O mesmo procedimento ensinaria uma criança a nomear tristeza, saudades etc..

Por outro lado, uma mãe que observa seu filho correndo atrás de uma bola, chutando essa bola, dizendo uns palavrões porque a bola bateu na trave, não diria que seu filho está com raiva da bola, mas diria que ele tem paixão por futebol. ( H.J. Guilhardi ). A partir deste fato torna-se notória a importância de se observar o contexto em que o comportamento ocorre para que possamos nomeá-lo com segurança.

A pessoa pode emitir os mesmos comportamentos, porém em contextos diferentes. Nem sempre que você está pulando é de medo. O contexto é quem diz qual sentimento você apresenta.

Em resumo os sentimentos são comportamentos como todos os outros que derivam das contingências de reforçamento onde a pessoa está inserida. Skinner mesmo já diz: “o que é o amor se não outro nome para reforçamento positivo?.

As reações fisiológicas como liberação de neurotransmissores e hormônios não são as causas dos sentimentos, mas são comportamentos respondentes causados pelos estímulos que recebemos do meio. Você falar, reclamar,chutar, são comportamentos operantes emitidos por você naquela situação.

Na verdade, eu não choro porque estou triste, mas eu fico triste e choro ao mesmo tempo, devido à certas contingências de reforçamento, ou seja, porque algo aconteceu (SKINNER,
1989/2005).

Todos os sentimentos são comportamentos que são nomeados pela comunidade verbal.

As pessoas não nascem com o que chamamos sentimentos, elas nascem sim com uma predisposição, um potencial a desenvolvê-los. Uma criança que a família inicialmente não discrimina suas reações com nome dos sentimentos, também irá diferenciar um sentimento de outro. Se a família dá como nome a palavra “estranho” para um grupo de sentimentos, que contém o que chamamos de “saudade”, “medo”, “ansiedade”, “estresse”, e quaisquer outros mais, a pessoa simplesmente dirá que se sente “estranho”, ela se sente…”estranho”, só isso. Se a família desta criança discriminar verbalmente de acordo com o contexto as reações da criança, aí sim ela sentirá “saudade”, “medo”, etc.

O primeiro passo concreto que as pessoas podem dar para ensinar seu filho a detectar seus sentimentos é começar pelos órgãos dos sentidos. Ao dizer “Experimente esta comida. Ela está salgada.” (ou doce, ou gostosa, ou macia, ou quente, ou…), a criança percebe as diferenças entre sabores, texturas, temperatura etc. Ao passar um objeto sobre a pele de uma criança e dizer-lhe “Veja como é lisa” (ou áspera, ou mole, ou fria, ou…), a criança percebe as diferenças entre consistências, texturas, temperatura etc. E assim, sucessivamente, com cada órgão dos sentidos (som alto, som grave, cor azul, cor verde, claro, escuro etc.). Aos poucos, a pessoa passa a usar metaforicamente as palavras aprendidas a partir de objetos e de sensações concretas com cada órgão dos sentidos para se referir a outras experiências. Assim, fiz uma viagem “deliciosa” (a viagem não tem sabor, mas metaforicamente produziu sensações orgânicas equivalentes – não iguais – às produzidas por uma comida com sabor delicioso) ou sinto-me “aliviado”, depois que acabei o meu relatório (terminar um relatório não reduz literalmente peso algum, mas, metaforicamente, tê-lo terminado causa sensações corporais que são equivalentes às produzidas pela redução de uma carga pesada que estava sendo carregada). Por esses exemplos, é possível concluir que o contato com uma comunidade que apresenta um repertório verbal rico favorece o desenvolvimento da percepção e da nomeação de sentimentos ( H.J. Guilhardi ).

Assim, por exemplo, ao observar que um objeto pontiagudo (uma agulha) fere o dedo de uma criança, o pai pode dizer “dói” e a criança aprende o que é sentir dor. Pode dizer mais: “Dói. É uma agulhada. Agulha causa dor aguda”. Com essas informações, a criança pode, futuramente, generalizar essa aprendizagem e dizer ao médico “Sinto umas agulhadas na minha barriga.”, querendo dizer: “As dores que sinto no abdômen assemelham-se às dores provocadas por uma agulhada” ( H.J. Guilhardi ).

Enfatizando,isso mostra que os que chamamos sentimentos são apenas nomeações que damos aos comportamentos que emitimos diante de determinadas contingências.

Se os sentimentos são comportamentos como quaisquer outros, também são passíveis de modelagem. Como modelar um sentimento? O processo é o mesmo: modificando as contingências. Você reforçar os comportamentos responsáveis pelos sentimentos que deseja, como os abraços, os beijos, carinho, estará reforçando o sentimento. Se você não reforçar, estará colocando em processo de extinção, irá diminuir a probabilidade desses comportamentos voltarem a ocorrer, se você puni-los, além de diminuir a probabilidade de voltarem a ocorrer você poderá gerar respostas de contra-controle ( ver “behaviorismo radical, o que é?” ).

Links consultados:

http://www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=98

http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/skinner/lugar_sentimento.pdf

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