Sobre o amor

Amor

“Amor é fogo que arde sem se ver;
 É ferida que dói e não se sente;
 É um contentamento descontente;
 É dor que desatina sem doer;”
                            (Luiz Vaz de Camões)
 
 
 
 

Segundo o dicionário, Aurélio (2001): “Amor: 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa. 3.Inclinação ditada por laços de família. 4. Inclinação sexual forte por outra pessoa. 5.Afeição, amizade, simpatia.”

Observa-se em dois pontos dessa definição a palavra sentimento, este, segundo o mesmo dicionário, seria “Ato ou efeito de sentir-se”. E este “sentir”? 1. Perceber por meio de qualquer órgão dos sentidos. 2. Experimentar”.

Diante desse encadeamento de significados, quem ama sente, quem sente experimenta, percebe, pressupõe-se que: quem ama se comporta! Segundo Análise do Comportamento, o amor seria uma categoria de completa de ações que ocorrem em tempos diferentes e em uma determinada freqüência, onde os indivíduos reforçam comportamentos um do outro que sejam “agradáveis” para ambas as partes, e não algo interno “especial” que causaria todos esses comportamentos que caracterizam esse amar.

Procura-se descrever o efeito interno do reforçador como algo que “dá prazer”, que “faz sentir bem”. Então, como Skinner descreve em seu livro “Questões recentes na Análise do Comportamento”: “”Eu te amo” significa “Você me dá prazer ou me faz me sentir bem””. Da mesma forma, um outro significado a essa expressão seria: “Você reforça meus comportamentos, que estão relacionados aos seus”. Comportamentos esses tanto observáveis diretamente quanto os encobertos, que englobam os pensamentos (que também são comportamentos) e as reações fisiológicas envolvidas (taquicardia, sudorese, liberação de adrenalina, etc).

Desta forma, aprende-se a “amar”. Os comportamentos envolvidos nessa categoria dependerão da história de aprendizagem de cada indivíduo envolvido nessa relação, e a sua funcionalidade corresponde, também, à aprendizagem filogenética e cultural.

Seguindo essa linha, o amor pode ser categorizado em três denominações, utilizando termos empregados anteriormente pelos gregos para designar o amor: eros, philia, agape.

Conforme Skinner coloca no “Questões recentes na Análise do Comportamento”, “Eros é usualmente empregada para significar amor sexual.”Nesse sentido pode ser sinônimo de relação sexual, e é derivado da seleção natural, filogeneticamente determinado, para a garantir a manutenção e perpetuação da espécie. Apesar da preponderância genética, ele pode ser modificado por condicionamento operante, por causa da suscetibilidade ao reforçamento ser um traço evolutivo, proporcionando assim a variação, importante para a seleção. Essa denominação corresponde ao tópico 4 do significado da palavra “amor”, do dicionário.

A Philia termo usado para designar “amizade” e “amor”, corresponde ao significado do tópico 2, onde esse amor a outros e a coisas é aprendido por meio do condicionamento operante, caracterizando a categoria “amor” anteriormente discutido. Representando, assim o segundo nível de seleção, ontogenética. O que se aplica a casal de namorados, ou relação de amizade, onde se aprende a se relacionar por meio de reforço mútuo.

Enquanto a agape, segundo Skinner, significa “bem-vindo”, referindo-se, dessa forma, com os tópicos 3 (generalizando para outros grupos, além da família) e 5 dos significados do “amor”. No agape, esse amor é mantido pelo grupo, onde este reforça os comportamentos de cada membro, viabilizando assim a coesão desse grupo. Esse amor pode ser exemplificado pelo patriotismo, que representa o amor do grupo pelo grupo. Esse tipo de amor significa o processo de seleção cultural, que auxilia na resolução dos problemas e na sobrevivência do grupo.

Diante tudo exposto, o amor, sendo um rotulo de categoria, não seria a causa de muitos comportamentos que o caracterizam, mas devido a sua tamanha funcionalidade, e magnitude de seu efeito reforçador para o indivíduo, não custa nada dizer “eu te amo” àqueles com quem nos sentimos bem.

Texto de Izabel Vale. Estudante de Psicologia do Piauí.

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