Textos de Skinner

A EVOLUÇÃO DO COMPORTAMENTO*

B. F. SKINNER

Os teóricos da evolução não salientam apenas o valor de sobrevivência da estrutura e
da função atuais de um organismo; eles tentam reconstruir estágios anteriores, que
também devem ter tido valor de sobrevivência. Um exemplo de interesse atual é o vôo
de pássaros. As penas podem ter evoluído, inicialmente, como isolante térmico, mas e as
asas? Seriam adaptações de patas dianteiras que, no início, ajudaram animais terrestres a
correr mais rápido ou animais de árvores a saltar de galho em galho ou do galho para o
chão? (Mesmo quando uma característica evoluiu inicialmente devido a conseqüências
bem diferentes daquelas que explicam seu valor de sobrevivência atual, uma história
inicial plausível ainda é necessária.) Entre as características a serem explicadas desta
maneira está o comportamento. O atual valor de sobrevivência de reflexos e os padrões
de comportamento-gatilho estudados pelos etólogos pode estar claro, mas seria possível
construir seqüências plausíveis através das quais estes padrões de comportamento
poderiam ter evoluído, mantendo o valor de sobrevivência em cada estágio?

O primeiro comportamento foi, presumivelmente, movimento simples – como o da
ameba, avançando para um novo território e, conseqüentemente, aumentando suas
chances de encontrar materiais necessários para sua sobrevivência. Depois,
presumivelmente, veio a sensação, que possibilitaria ao organismo se afastar de
estímulos nocivos e se aproximar de materiais úteis. A atribuição de diferentes órgãos à
sensação e à mobilidade deve ter levado à evolução de estruturas conectivas e,
eventualmente, a tropismos e reflexos.

Os padrões de comportamentos-gatilho estudados pelos etólogos provavelmente
também evoluíram através de estágios de complexidade crescente. É improvável que
muitos exemplos atuais tenham ocorrido, desde o início, em seu estado atual, como
variações que foram, então, selecionadas pela sobrevivência. Em meu artigo “A
Modelagem do Comportamento Filogenético” (“The Shaping of Phylogenic Behavior”),
sugeri que mudanças geológicas bem conhecidas poderiam ter fornecido algumas das
seqüências de contingências necessárias1. Não seria difícil ensinar um peixe a pular de
um nível mais baixo para um nível mais alto. Seria possível reforçar o nadar através de
uma barreira submersa, levantar lentamente a barreira até que ela chegasse à superfície
e, então, levantá-la até que se tornasse a parede de um segundo tanque. À medida que os
níveis de água fossem lentamente separados, o peixe pularia com mais e mais força.
Algo semelhante, numa dimensão temporal muito diferente, pode ter acontecido, caso o
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fundo raso e pedregoso de um rio de desova de salmões tenha se movido contra a
correnteza, à medida que o rio se modificava, e corredeiras e cachoeiras se interpunham
entre o fundo pedregoso e o oceano.

Uma mudança geológica diferente tem sido proposta para explicar o comportamento
das tartarugas que se alimentam ao longo da costa do Brasil, mas nadam mais de mil
milhas, até Ascension Island, onde elas se reproduzem2. Aparentemente, elas nadavam
até ilhas mais próximas, que desapareceram. Um terceiro exemplo é o comportamento
da enguia do Atlântico, que viaja tanto de rios americanos, como europeus, para uma
região de procriação perto do Mar de Sargaço. Essas longas viagens são feitas só uma
vez, e é bastante improvável que possam ter ocorrido pela primeira vez na forma atual
como variações. Quando a América do Norte e a Europa se separaram, entretanto, as
distâncias deviam ser curtas. O comportamento atual poderia ter evoluído à medida que
cada geração avançava uns poucos centímetros mais longe do que a anterior.
Como a maioria das teorias evolucionistas, estas são especulações, mas elas recorrem
a mudanças geológicas conhecidas, que poderiam prover as condições sob as quais
comportamento complexo teria sido modelado. Até onde eu sei, os etólogos não têm
dado muita atenção a histórias plausíveis deste tipo. Alguns, de fato, têm questionado se
a reprodução com variação pode explicar comportamento complexo sem apelar para
processos mentais. Existe uma garça, por exemplo, que pesca tocando a superfície da
água com uma pena e apanhando o peixe que sobe em direção a esta simulação de um
inseto. A garça não está demonstrando alguns dos processos de pensar do pescador
humano? Mas a jornada da enguia do rio Nilo para o Mar de Sargaço, um quarto da
volta ao redor da terra, é um exemplo muito mais complexo de comportamento inato e é
muito mais difícil de ser explicado em termos “cognitivos”. Qualquer um que tenha
visto o galhinho de uma planta tornar-se uma planta completa com flores e frutos, uma
realização também difícil de ser atribuída à vida mental, não terá dificuldade em aceitar
o papel da seleção natural na origem do comportamento, não importa quão complexo.
O comportamento social suscita um problema especial, quando dois comportamentos
inter-relacionados, mas de diferentes tipos, parecem evoluir juntos. Se as abelhas, ao
retornar para a colméia, dançam de maneiras usadas por outras abelhas quando acham
fontes de comida, qual poderia ter sido o valor de sobrevivência da dança, antes que
outras abelhas respondessem a ela, e como uma resposta poderia ter evoluído, antes que
as abelhas que voltam dançassem? Temos que supor que as abelhas que voltam se
comportaram de maneiras relacionadas à localização de alimento, por razões não
relacionadas ao alimento. Uma abelha que tenha percorrido um longo caminho poderia
demonstrar fadiga; uma abelha vindo em determinada direção poderia fazer movimentos
fototrópicos circulares; e assim por diante. Uma vez que as respostas de outras abelhas a
estes estímulos tivessem evoluído, refinamentos maiores poderiam ocorrer3.
Processos comportamentais:

Imitação e Modelação

A evolução dos processos através dos quais o comportamento se modifica também
precisa ser explicada. Um exemplo inicial deve ter sido a imitação. Uma definição
estrutural (comportar-se como outro organismo está se comportando) não será
suficiente: o cachorro que persegue o coelho não está imitando o coelho. A imitação
filogenética poderia ser definida como se comportar como outro organismo está se
comportando, sem nenhuma razão ambiental alternativa. Mas alguma outra razão pode
ter sido inicialmente necessária. Considere um grupo de animais de pastagem, expostos
à predação freqüente. Cada animal apresenta uma forte tendência a correr, em resposta
não apenas à predação, mas a estímulos relacionados com predadores. Um exemplo de
tais estímulos poderia ser a súbita corrida de um ou mais membros do grupo, já
respondendo ao predador. Neste estágio, o comportamento não seria de imitação: teria
sido desencadeado por um entre dois estímulos: a visão de um predador ou a visão de
um outro animal correndo subitamente. Mas uma variação, que resultasse em um
organismo imitando outro, teria então valor de sobrevivência como corroboração
redundante. Com o desenvolvimento do processo, o modelo imitativo poderia assumir
total controle, e o imitador, então, simplesmente faria o que outro animal estivesse
fazendo e por nenhuma outra razão.

Uma vez desenvolvida a imitação, existem contingências de seleção em que a
modelação poderia evoluir. Um pássaro jovem, eventualmente, irá voar por si próprio;
mas, se ele voar mais cedo, quando os pássaros pais voarem, e se voar mais cedo tiver
valor de sobrevivência, então a modelação por parte dos pais deveria evoluir, com os
pássaros pais voando com freqüência e de maneiras particularmente conspícuas,que são
facilmente imitadas.

Condicionamento Respondente

Como processos evoluídos através dos quais o comportamento se modifica durante a
vida do indivíduo, a imitação e a modelação o preparam apenas para comportamento que
já tenha sido adquirido pelos organismos que dão o modelo. Há outros processos que
evoluíram que colocam o indivíduo sob controle de ambientes aos quais ele é exposto.
Um deles é condicionamento respondente (pavloviano ou clássico). Sob que condições
ele poderia ter se desenvolvido?

Vamos considerar o exemplo clássico de Pavlov: um som, freqüentemente seguido
pela liberação de alimento, começa eventualmente a eliciar salivação. A salivação
incondicionada é um reflexo evoluído. Os estímulos mais comuns são substâncias na
boca, mas, num ambiente estável, o salivar diante da simples presença de determinado
alimento também deve ter evoluído, assim como o apanhar e o comer um alimento
evoluíram em resposta aos mesmos estímulos. No entanto, as contingências
favoreceriam uma resposta mais forte ao sabor. O condicionamento respondente poderia
ter se iniciado como uma variação que tornou as características visíveis do alimento
ligeiramente mais prováveis de eliciar salivação. A saliva, então, teria sido secretada em
resposta à visão do alimento, tanto como um reflexo fraco, resultante da seleção natural,
como também como um reflexo condicionado. A versão condicionada poderia surgir em
resposta a um estímulo (um som, p. ex.) que não tinha nenhum efeito relacionado à
seleção natural.

A salivação não sugere um forte valor de sobrevivência, e o argumento é mais
convincente em relação à transpiração e à aceleração da pulsação, associadas com
atividade vigorosa. Uma tendência evoluída para lutar ou fugir, à visão de um predador,
poderia ser acompanhada por uma tendência evoluída para suar e aumentar a pulsação,
mas existiriam mais transpiração e uma pulsação mais rápida durante uma fuga ou um
ataque reais. Se, inicialmente, a transpiração e o aumento da pulsação ajudaram a
preparar para uma fuga ou ataque eficazes, variações que conduziram ao processo de
condicionamento respondente teriam tido valor de sobrevivência.

Nestes exemplos, o condicionamento respondente é explicado como um aumento
adicional na força de reflexos que não evoluíram completamente. A explicação é
corroborada por certas características do condicionamento respondente que são,
freqüentemente, negligenciadas. O condicionamento reflexo pavloviano não tem valor
de sobrevivência, a não ser que seja seguido pelo reflexo incondicionado.
Embora se possa demonstrar que a salivação é, eventualmente, eliciada por um som,
não existe vantagem para o organismo, a menos que se siga a apresentação do alimento.
Similarmente, uma inclinação para suar ou para aumentar o batimento cardíaco, em
resposta ao aparecimento de um predador, também não tem valor, a menos que uma
atividade vigorosa se siga.

O alcance do condicionamento respondente é muito mais amplo do que seu papel no
reflexo condicionado. Os desencadeadores (“gatilhos”) estudados por etólogos são
condicionados mais ou menos da mesma maneira, e o imprinting é, no mínimo, similar.
Há um óbvio valor de sobrevivência no comportamento de um patinho quando ele segue
sua mãe. As características do objeto desencadeador poderiam ter sido precisamente
definidas, mas há menor envolvimento genético, se o seguir for desencadeado por
qualquer objeto grande que se mova. No mundo do patinho, tal objeto é quase sempre a
mãe. A especificação menos rigorosa é suficiente, porque a pata-mãe é uma
característica consistente do ambiente natural do patinho. O imprinting é um tipo de
confirmação estatística de uma instrução genética não muito específica.

Condicionamento Operante

O condicionamento operante requer uma explicação diferente. Sob que condições a
menor variação possível poderia contribuir para a evolução do processo? O
comportamento inato tem conseqüências relacionadas, em última instância, à
sobrevivência. A mão é retirada de um estímulo doloroso, presumivelmente porque o
estímulo é potencialmente prejudicial; a resposta promove a sobrevivência, pela
prevenção do dano. Qualquer mudança sutil, que resultasse em um término mais rápido
do dano subseqüente, deveria ter valor de sobrevivência, e o condicionamento operante,
através de reforçamento negativo, seria uma mudança desse tipo. A resposta operante
seria uma réplica exata da resposta filogenética, e as conseqüências fortalecedoras
seriam as mesmas, contribuindo para a sobrevivência do indivíduo e, conseqüentemente,
da espécie, através tanto da seleção natural, como de uma suscetibilidade evoluída a
reforçamento por uma redução dos estímulos dolorosos.

Um argumento similar pode ser usado para o reforçamento positivo. Caso comer um
determinado tipo de alimento tenha tido valor de sobrevivência (como o que explica o
comportamento de comer o alimento), uma maior tendência a comer, porque o sabor da
comida se tornou um reforçador, também deve ter tido valor de sobrevivência. Tanto a
topografia do comportamento, como a conseqüência imediata (ingestão de um
determinado alimento), seriam a mesma, mas haveria duas conseqüências: uma
relacionada à seleção natural e outra relacionada a uma suscetibilidade evoluída ao
reforçamento operante através de um sabor específico. Uma vez evoluído o processo de
condicionamento operante, topografias de comportamento cada vez menos semelhantes
ao comportamento filogenético poderiam ter sido afetadas e, eventualmente, o
comportamento poderia ter emergido em novos ambientes, que não eram estáveis o
suficiente para mantê-lo através da seleção natural.

Dois outros estágios na evolução do comportamento operante precisam ser
considerados. Uma vez existente o processo, uma suscetibilidade ao reforçamento por
novas formas de estimulação poderia ter evoluído. Ela seria suplementada por um novo
papel do condicionamento respondente: o condicionamento de reforçadores. Estímulos,
que freqüentemente precedem reforçadores incondicionados, poderiam começar a ter
efeitos reforçadores tanto no condicionamento respondente, como no operante.

Um segundo estágio pode ter sido a evolução de comportamento incondicionado que,
em si, não tinha valor de sobrevivência, mas estava disponível para seleção através de
reforçamento operante. Tal comportamento possibilitaria ao indivíduo desenvolver um
repertório muito mais amplo de comportamento apropriado aos novos ambientes. O bebê
humano apresenta um amplo repertório de tais comportamentos.

Muitas contingências de reforçamento atuais assemelham-se a contingências de
sobrevivência. Comportamo-nos de determinada maneira, tanto porque somos membros
de uma dada espécie, como porque vivemos num mundo em que certas contingências de
reforçamento prevalecem. Assim, evitamos cair de um penhasco, nos desviamos de
objetos, imitamos outras pessoas, nos debatemos contra uma contenção, nos voltamos
em direção a um movimento visto pelo canto dos olhos – e tudo por duas razões:
contingências de sobrevivência e contingências de reforçamento. Seria difícil dizer o
quanto da força do comportamento se deve a cada um dos dois tipos de contingências.

Somente uma primeira ocorrência pode ser considerada necessariamente inata, mas
primeiras ocorrências são difíceis de detectar. Um exemplo de interesse atual é a
agressão. Podemos ter um repertório inato de comportamento agressivo, mas
comportamento similar é gerado por muitas contingências de reforçamento. Não importa
se determinada ocorrência é filogenética ou ontogenética, a menos que estejamos
preocupados em fazer alguma coisa a seu respeito. Caso haja tal preocupação, devemos
identificar as variáveis a serem alteradas.

Na espécie humana, o condicionamento operante substituiu amplamente a seleção
natural. Uma infância longa dá maior alcance ao processo ontogênico, e seu papel na
adaptação a ambientes muito instáveis é uma grande vantagem. Contudo, o processo não
é insensível às mudanças ambientais. Como salientei em outro texto4, a suscetibilidade
humana a reforçamento por açúcar e sal, contato sexual e sinais de dano agressivo talvez
já tenha tido valores de sobrevivência muito maiores do que tem hoje. Os avanços
tecnológicos na produção, armazenagem e distribuição de gêneros alimentícios, no
controle de pestilências e no aperfeiçoamento de armas podem ter feito com que tais
suscetibilidades tivessem maior probabilidade de ser letais.

Da mesma maneira que o comportamento inato muito complexo tem levado a um
apelo a processos cognitivos, também se argumenta, freqüentemente, que o
condicionamento operante não consegue explicar o comportamento aprendido
complexo. Diz-se que os animais, assim como as pessoas, transcendem a modelagem e a
manutenção de comportamento pelas contingências de reforçamento e apresentam
insight, desenvolvimento de conceitos e outros processos cognitivos. Tais afirmações
são vulneráveis às demonstrações de que o condicionamento operante é suficiente.
Epstein, Lanza, Starr e eu, por exemplo, simulamos uma variedade de processos
cognitivos complexos em pombos5. Tal comportamento não apenas pode ser atribuído a
contingências de reforçamento fortuitas, como também pode ser produzido através da
programação das contingências necessárias.

Também tem sido dito (por Thorndike, por exemplo) que as coisas reforçam devido à
sensação que provocam nos órgãos dos sentidos, mas o efeito reforçador certamente
deve ter evoluído primeiro. Somente depois que isso aconteceu, as coisas poderiam ser
sentidas como agradáveis, ser chamadas de agradáveis e ser capazes de produzir
satisfação. Talvez devêssemos falar de sentimentos apenas quando o que é sentido é
reforçador. Caso afastamos a mão de uma chapa quente simplesmente como reflexo, a
redução na estimulação dolorosa não tem nenhum papel no momento. Talvez seja
apenas pelo fato de o comportamento ser reforçado pela mesma redução, que dizemos
que a estimulação dói. O mesmo pode ser verdadeiro em relação aos reforçadores
positivos. Insetos que estão copulando simplesmente como comportamento filogenético,
podem não estar “se curtindo”.

As condições sob as quais o condicionamento operante evoluiu são úteis para
compreender a sua natureza. A seleção não precisou respeitar a maneira como uma
amostra de comportamento produziu uma conseqüência; qualquer conseqüência
imediata teria sido suficiente. A imediaticidade foi essencial por outras razões. Os
reforços atrasados têm um efeito mais poderoso sobre comportamentos interpostos, e o
comportamento tem que estar ocorrendo para poder ser modificado por uma
conseqüência. A afirmação, segunda a qual o comportamento é afetado pela melhora,
otimização ou maximização gerais de uma condição reforçadora, entra em conflito com
estes princípios, e a evidência deveria ser examinada novamente, de forma que
pudéssemos estar seguros, por exemplo, de que intervalos entre comportamento e
conseqüências atrasadas não são preenchidos por reforços condicionados.

Um conceito de otimização é como o conceito de saúde. A cura de um ferimento
restaura uma condição normal do corpo e a condição normal favorece a sobrevivência.
Mas a cura não ocorre porque promove a sobrevivência; ela ocorre porque certas
estruturas do indivíduo evoluíram porque promoveram a sobrevivência. De maneira
similar, num organismo faminto, um operante é reforçado pela ingestão de alimento. O
alimento reduz um estado de fome e contribui para a sobrevivência do indivíduo e da
espécie. Mas o operante não ocorre porque reduz a fome; ele ocorre porque certos
processos comportamentais evoluíram quando uma redução na fome contribuiu para a
sobrevivência da espécie. O comportamento não é reforçado pela melhora, otimização
ou maximização de coisa alguma. Ele é reforçado através de processos resultantes de
evolução, que têm os efeitos finais a que tais termos se referem.

A Evolução de Práticas Culturais

A imitação operante não requer nenhum novo processo resultante de evolução.
Quando os organismos estão se comportando por causa das contingências de
reforçamento predominantes, comportamento similar em outro organismo tem
probabilidade de ser reforçado pelas mesmas contingências. Uma tendência
condicionada geral para se comportar como outros se comportam suplementa a imitação
filogenética. Segue-se, então, a modelação operante: quando o comportamento de outra
pessoa é importante, dar modelo (modeling) é reforçado quando a outra pessoa o imita.

A imitação e a modelação desempenham importantes papéis na transmissão de
resultados de contingências de reforçamento excepcionais. Algumas das grandes
realizações do homem se devem a acidentes extraordinariamente afortunados. Outras
pessoas ficaram sob controle das mesmas contingências fortuitas, através de imitação, e
o comportamento foi transmitido, ainda mais rapidamente, por .modelação. A espécie
humana progrediu ainda mais na transmissão do que já tinha sido aprendido, quando seu
aparelho vocal ficou sob controle operante.

Uma cultura pode ser definida como as contingências de reforçamento social
mantidas por um grupo. Como tal, ela evolui a sua própria maneira, à medida que novas
práticas culturais, independentemente de como surjam, contribuem para a sobrevivência
do grupo e, por isso, são perpetuadas. A evolução de culturas não tem aqui maior
relevância, porque não estão envolvidos quaisquer processos comportamentais novos.

Notas:

1. B.F. Skinner, “The shaping of phylogenic behavior”, Acta Neurobiologiae
Experimentalis, 35 (1975), 409-15.
2. A. Carr, “Adaptive aspects of the sScheduled travel of Chelonia”, in Animal
orientation and navigation, ed. R. M. Storm (Corvallis: Oregon State University
Press, 1967), pp. 35-55.
3. É necessária uma explicação semelhante para a evolução de feromônios. Por que
rastros aromáticos foram liberados, antes que outros membros da espécie
respondessem a eles, e como o responder a tais rastros poderia ter evoluído, caso
não existissem os rastros? Temos que supor que um rastro foi liberado por outras
razões (como o rastro seguido por um cão farejador)e, nesse caso, o responder a
ele como um feromônio evoluiu primeiro; ou que algum rastro deixado por um
animal foi seguido por outras razões (porque tinha cheiro de comida, por exemplo)
e, em tal caso, o deixar um rastro como um feromônio evoluiu primeiro. A
característica do feromônio poderia mudar, a partir do momento em que o deixar
rastros evoluiu por causa do que aconteceu quando outros membros da espécie
responderam a eles, ou uma vez que rastros deixados sem razões particulares
foram seguidos devido ao que aconteceu.
4. B. F. Skinner, “Contingencies of reinforcement in the design of a culture”,
Behavioral Sience, 11 (1966), 159 – 66.
5. R. Epstein, R. P. Lanza e B. F. Skinner, “Symbolic communications between two
pigeons (Columbia livia doméstica), Science, 207 (1980), 543-45; R. Epstein, R. P.
Lanza e B.F. Skinner, “Self-awareness in the pigeon”, Science, 212 (1981), 695-
96; R. Epstein e B. F. Skinner, “The spontaneous use of memoranda by pigeons”,
Behavior Analysis Letters, 1 (1981), 241-46; R. P. Lanza, J. Starr e B. F. Skinner,
8
“‘Lying’ in the pigeon”, Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 38
(1982), 201-3.

– Texto retirado do site “Terapia por Contingências

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